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Mostrando postagens de outubro, 2019

A Torá de Yeshua

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Os capítulos 5, 6 e 7 do evangelho de Mateus consistem num compêndio de ensinos de Yeshua, onde ele apresenta a sua Torá. Este trecho deve ser reconhecido como a Torá de Yeshua, especialmente por causa do fim do capítulo 7 onde diz: “E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso, a multidão se admirou da sua doutrina (gr: didaquê); porquanto os ensinava como tendo autoridade; e não como os escribas.” Mateus 7:28,29. A palavra “didaquê” no grego tem o mesmo significado da palavra “torá” em hebraico: ensino, instrução, doutrina. Por isso, este trecho deve ser reconhecido como a Torá de Yeshua. A questão que se levanta aqui é: seria a Torá de Yeshua uma Torá diferente daquela dada pelo Eterno a Israel por meio de Moisés? A resposta a esta questão é dada pelo próprio Yeshua, ainda na introdução de seu discurso: “Não cuideis que vim destruir a lei (Torá) ou os profetas: não vim abrogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um ...

A Graça do Eterno apresentada desde o início.

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Hoje recomeçamos o estudo da Torá com a parashá Bereshit (Gênesis 1:1-6:8). É uma porção muito complexa, que trata de muitos assuntos deste a criação do homem até a corrupção geral da humanidade antes do dilúvio. Mas o que mais me chama a atenção nesta porção é a manifestação da Graça do Eterno. Entendemos por "Graça" (Chessed em hebraico), a inclinação do Eterno em nos dar o seu favor. Esta graça começa a ser manifestada ainda na criação, onde tudo o que é criado é visto por Deus como "bom". Toda a criação se deu para que o homem fosse criado, e uma vez o homem criado ele pudesse entender o quanto Deus o ama. A criação testemunha do Criador sobre sua bondade e benignidade, e também de sua ordem e sua perfeição. Após o homem ser criado o Eterno dá a ele o Shabat, que é o memorial da criação, e o sinal de que o Eterno é quem criou e governa todas as coisas. Como ensinou Yeshua (Jesus) o Shabat foi criado por causa do homem, e não o homem por causa do Shabat. ...

Águas vivas!

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No último dia de Sucot havia um cerimonial muito interessante. O Sumo Sacerdote saia em procissão, acompanhado de uma multidão até a fonte de Siloé. Com uma bacia de ouro nas mãos, trazia de lá água que era derramada ao pé do altar. Este cerimonial simbolizava o clamor do povo por chuvas, também servia para limpar o altar simbolizando purificação, e era também uma alusão à Isaías 12: "E vós com alegria tirareis águas das fontes da salvação." Isaías 12:3. Foi neste momento, em que o Sumo Sacerdote derramava as águas no altar, orando e clamando ao Eterno por águas, que Yeshua levantou-se no meio da multidão e clamou: "E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre." João 7:37,38. As três festas do sétimo mês, Yom Terua, Yom Kippur e Sucot são festas escatológicas, que anunciam o retorno de Yeshua, o juízo, e...

O Cântico de Moisés

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A parashá Ha'azinu (Deuteronômio 32:1-52) é a penúltima porção da Torá, e consiste em grande parte no que é chamado "o cântico de Moisés". Em Apocalipse 15:3 há a menção a este cântico, onde os justos que vencerão a besta entoarão este cântico. A referência a este cântico em Apocalipse não é sem motivo. Este cântico de Moisés é tremendamente escatológico. Fala sobre o juízo vindouro e a vitória do Cordeiro sobre todos os seus inimigos. Este canto traz, em linhas gerais, a história da humanidade, desde o inicio até o fim. E como Israel se posiciona neste cenário que envolve a história de todos nós. O verso 8 vai revelar que, desde o inicio da humanidade, o Eterno já havia escolhido Israel para ser uma nação sacerdotal. Um povo escolhido para que o Eterno fosse conhecido em todas as nações da terra. "Quando o Altíssimo distribuía as heranças às nações, quando dividia os filhos de Adão uns dos outros, estabeleceu os termos dos povos, conforme o número dos filh...

Parashá Vaiêlech.

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A parashá Vaiêlech (Dt 31:1-30) é uma porção bem pequena da Torá, são apenas 30 versos, mas de grande profundidade profética e espiritual. Este é o último dia de vida de Moisés, ele está fazendo seu último discurso à nação de Israel, e empossando Josué como seu sucessor. É um momento de grande apreensão pelos israelitas, profundas mudanças estavam prestes a acontecer. A mudança na liderança de Israel, a conquista da terra prometida que demandaria esforço, a advertência para não abandonarem a Torá. Diante de todo o sentimento que envolve todos nós no momento de mudanças bruscas, uma palavra de esperança é dada: "E ordenou a Josué, filho de Num, e disse: Esforça-te e anima-te; porque tu introduzirás os filhos de Israel na terra que lhes jurei; e eu serei contigo." Deuteronômio 31:23. Antes de pronunciar essa palavra de encorajamento à Josué, o Eterno havia dito que, depois de conquistada a terra, Israel se esqueceria do Eterno e de sua Aliança, e isso traria muitos ma...

Justiça que vem da Fé - continuação

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No estudo da parashá Nitsavim (http://fesalvacaoeobras.blogspot.com/2019/09/a-justica-que-vem-da-fe.html), iniciamos sobre o tema: A justiça que vem da fé. Esse termo foi usado por Paulo na carta aos Romanos capítulo 10 para contrapor ao que ele também denomina como "justiça que vem da Lei". À luz da parashá Nitsavim vimos que esta "justiça que vem da fé" está na obediência que é fruto de uma conversão genuína ao Eterno, e não por imposição de normas e preceitos religiosos. É a circuncisão do coração que colocará a Torá no seu devido lugar, na mente e no coração do crente. O momento que Paulo estava vivendo tem tudo a ver com essa argumentação feita no capítulo 10 de Romanos, pois o partido chamado "dos da circuncisão" insistia em fazer dos gentios crentes prosélitos do judaísmo, impondo sobre eles a obrigação de se tornarem judeus. Lembre-se que o problema tratado pelos apóstolos em Atos 15 é justamente esta alegação dos religiosos: "se não cir...